Amor e trem a vapor

No tempo em que o trem a vapor circulava entre o Rio de Janeiro, a capital do Brasil e o interior do estado, as moças deviam casar cedo e os homens casadoiros eram os que já estavam estabelecidos na vida.

Na interiorana cidade de Areal, uma pequena estação da estrada de ferro era uma breve parada entre a capital e o município de Três Rios e por onde a locomotiva passava trazendo contos de réis e outros tantos sonhos conquistados na cidade grande, cruzando a ponte de ferro sobre o translúcido rio Piabanha e o túnel enegrecido que cortava uma grande fazenda de laranjas.

Foi nessa época que minha avó, filha do grande fazendeiro de Areal, estava, aos 15 anos, encaminhada num noivado com um rapaz bem sucedido de 23 anos,  filho de um comerciante local.

Ela tinha grandes olhos azuis vivo, mãos delicadas e habilidosas no bordado. Floripes era o seu nome e seu coração, no entanto, pertencia ao galanteador de bolsos vazios, Otávio, cujos amendoados olhos verdes haviam conquistado seu amor, mas haviam partido para capital em busca da fortuna. Na estação que ficava defronte à grande casa onde Floripes morava, Otávio prometera voltar para buscá-la quando estivesse à sua altura e foi embora levando pelo túnel escuro de pedras, o som do apito do trem fumarento e as lágrimas de Floripes consigo.

O tempo passou. Floripes completou 17 anos e nada de Otávio voltar.

A pressão da família era grande. Floripes precisava casar, e rápido, pois estava já ficando velha e seu noivado já se estendia por tempo demais.

Floripes se desesperou. Onde estaria seu belo Otávio, de profundos olhos verdes? O que ela faria se tivesse que realmente se casar com aquele homem a quem não amava?

Pensando assim, Floripes se deixou ficar languidamente olhando o horizonte da enorme janela, as mãos maquinalmente fazendo desenhos com as linhas enquanto ela namorava seu noivo, tendo (felizmente) sua mãe entre ambos, sentados todos numa marquesa estreita.

Eis que ela ouve o trem. Sente o barulho compassado gostoso e estrepitante ecoando a casa inteira. Esperava ver passar a fumaça que sempre subia em direção ao teto da grande casa. O ruidoso apito costumeiro, de repente tornou-se um som alvissareiro.  O trem atravessara o enorme laranjal depois do túnel e eis que ela avista da janela, lá dentro do trem, todo garboso em um terno bem talhado e com um chapéu panamá novíssimo… Sim… era Otávio quem chegaria em instantes na estação e logo estaria em sua casa para pedi-la em casamento…. Alegria batendo no peito e ruborecendo as faces, quase não conseguiu disfarçar da mãe e do rapaz.

Mas … e o que fazer com o noivo? O que ela alegaria à família?

Enxota que enxota o homem dali, diz que está com enxaqueca, que ele se retire, pois a hora se adiantou e não fica bem ele ficar tanto tempo em sua casa. O que os vizinhos vão dizer? Ela não quer ser mal falada. O homem, atabalhoado e atordoado com tanta intempestividade e alarido, levanta-se já a procurar seu chapéu e buscando a saída. Eis que ele em sua pressa e falta de razão solta a expressão “cadê o sacana do meu chapéu?”… Enfim, Floripes encontra seu mote e diz-se ofendida com palavra de tão baixo calão em sua casa, como ele poderia proferir tal coisa em sua presença e jogando-lhe o anel de ouro e brilhante na palma da mão, disse um seco ”ponha-se para fora de minha casa e não volte”, instantaneamente terminando o longo e indesejado noivado.

Deu-se meia hora e à sua porta batia o par de gemas verdes mais lindas da sua vida, pelos quais seu coração palpitava e seus olhos cegamente amava e ansiava.

Otávio casa-se com Floripes dos olhos azuis e foi minha mãe, de olhos verdes como Otávio, que contou-me esta e outras peripécias que são do tempo em que o trem apitava e fumegava.

assinatura

A antiga estação de Areal em foto de meu amigo Latuff (http://ferroviasdobrasil.blogspot.com) editada por mim para parecer antiga.

A antiga estação de Areal em foto de meu amigo Carlos Latuff (http://ferroviasdobrasil.blogspot.com) editada por mim para parecer antiga.

Bonde da Troca!

bonde da troca out nov2

Feira de Trocas Solidárias de Niterói em sua última edição de 2009!

Toda a programação visual da IEES tem sido produzida por mim, desde abril deste ano.

O logo da feira teve como inspiração o estilo urbano, figurado nos caracteres estilo stencil, e o mote da ligação do bairro com a questão do bonde.

No início do século passado, Niterói e mais exatamente o bairro do Gragoatá, onde ainda se encontra o prédio da Cantareira que foi nossa primeira estação de barcas,  possuia um amplo leque de opções de mobilidade ligado ao bonde, inicialmente a tração animal, depois a vapor e finalmente elétrico. Com a modernidade, tanto a estação quanto os bondes foram abandonados. Recentemente o bairro teve sua principal praça remodelada e surgiram boatos de recuperação dos trilhos, encontrados sob o asfato, para uma linha turística de bondes, o que foi amplamente comemorado. É claro que a idéia foi abandonda e hoje seus moradores convivem apenas com os desconfortáveis trilhos à mostra e seus paralelepípedos manjanbrados, a atrapalhar o trânsito.

Agora o único Bonde que ocupa o espaço da praça, é o Bonde da Troca!

Para acessar mais sobre a experiência de uma Feira de Trocas, visite o blog da IEES!

Seguindo as linhas de MG

A estrada nos carrega
num malemolente embalar
por montanhas paquidérmicas
e cidades modorrentas
onde param bancos que tem nomes
e igrejas que sombreiam coretos.

Curvas e subidas nos enlevam até que
estrelas toquem nosso nariz.
Uma lua prenha desponta, um segundo sol.

De cada lado, seres de diversos verdes habitam
e sussurram segredos vespertinos aos atentos.
Ouve-se um ruido fluido nas pedras
e os bambus se irritam estridentes
com o vento frio e úmido de agosto,
enquanto as araucárias teimosas exalam terapêuticas.

Os longinquos pontos pintados
no negro vale surgem e anunciam
Liberdade,
o lugar que os trilhos esqueceu.

 

Uma montanha paquidérmica...

Uma montanha paquidérmica...

 


NÓS AQUI ESTAMOS: sobre heróis, história e hipnose

Análises e comentários ao filme “Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos”, de Marcelo Masagão, 1998

Por Moni Abreu (Simone de A. Pereira)

Ao Prof Zé Rodrigues, OEB


“ …o cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia (ou que nos cabe em partilha),

nos pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão no presente”. [...]

“Talvez não seja inútil sublinhar a importância do domínio desta história “irracional”,

ou desta ‘não história’, como o diz ainda A. Dupont.

“O que interessa ao historiador do cotidiano é o Invisível…”

CERTEAU

As escolhas de Masagão: nem tudo é o que parece

O trecho de entrada do filme já nos mostra suas intenções: um certo trocadilho sobre ser grande ou pequeno. E nos faz pensar: qual o intuito íntimo do diretor?

Qual a intenção das seqüências de fotogramas e as diversas criações sobre os fatos históricos? Porque por exemplo ele inseriu alguns nomes e não outros? Porque a escolha de um Nijinsky e não mostrar uma Isadora Duncan?

A escolha do título foi aleatória, por simpatia ou será que ele se deteve a pensar nas implicações religiosas da frase e sua ligação com as imagens?

Vida e Morte

Se em vida somos culpados de sermos individualistas, na morte somos dispensados deste fardo e passamos a pertencer apenas às genéricas lembranças do passado. Ou pior, às estatísticas.

O filme é situado precisamente entre o final das décadas de 10 a 80 do século passado, por conta da visão do diretor baseada no livro “A era dos extremos”, de Hobsbawn, que questiona justamente a história e sua percepção do passado baseada na crise, nas visões do capitalismo para o mundo, nas cisões, nos momentos idílicos. O passeio histórico mostra basicamente vidas e mortes, de nomes famosos e outros nem tanto.

Na contramão dos muitos críticos a esta produção, não aposto que tenha sido a banalização da morte ou da violência o foco de Masagão. O que se insinua sob a película muito bem montada e com um fundo musical que ora é saltitante, ora funesto, é a idéia de que desconhecemos em absoluto todas as possibilidades e veredas humanas e que temos uma percepção errônea e midiaticamente criada de que existe uma vida comum em contraposição ao que ACREDITAMOS ser uma vida heróica, esta invariavelmente focada num dado instante de uma vida em particular.

Pequenos e grandes heroísmos

Masagão nos leva a passear em situações hipoteticamente criadas para nos fazer ver o quão despercebidamente heróica a vida pode ser, independente da criação das imagens de heróis feita pela mídia sobre as personagens e personalidades do passado. Embora o diretor, consciente ou inconscientemente, às vezes reforce arraigadas percepções.

Mas afinal, que diferença há entre um Yuri Gagarin, astronauta e aquele engenheiro das 5.700 lâmpadas da Exposição Universal de Paris?? Ou mesmo entre o Yuri Pai e o Yuri Filho?? O quão individualisticamente heróico este pai terá sido sendo um dos ‘últimos seres no planeta’ a ser contemplado com os propalados benefícios da luz elétrica e que, mesmo assim, conseguiu criar um filho que pisou na lua 30 anos depois e foi considerado um herói, mesmo todos nós sabendo que seu ato de heroísmo dependeu de centenas de outros heróis desconhecidos, inclusive e principalmente seu pai?

E não foi heróico o fato de Masagão ter feito esta obra prima com um Pentium II 300MGHz, onde gastou 2000 h de edição, 247 CTRL+ALT+DEL e 13 reinstalações do software WindowsNT?

Para provar esta heroicidade inerente ao ser humano Masagão mostra, em alternâncias suaves (em imagens às vezes nem tanto), as parcelas de vida de personagens conhecidos e desconhecidos de várias partes do mundo.

Mas quanto desta heroicidade (ou a falta dela) é ditada pela mídia? Quantas daquelas imagens não se tornaram “clássicos” do imaginário coletivo e da história eternamente recontada? Quanto de prova do poder do capital estas imagens não são? O fato de aparecer mais personagens estrangeiras, do que brasileiras nos faz pensar no quanto somos dominados pela imposição visual criada pelo grande capital e suas caixas hipnóticas, o cinema e a televisão.

VITA BREVIS: História dos vencedores, estória dos vencidos

Entre situações dramáticas e levemente irônicas vemos surgir em nossos olhos personagens cujas vidas não passaram, em média, dos 40 anos. Mas todo relato termina justamente com a data da passagem de cada um deles ou com algum evento humano que lhes deu fim.

Todos na morte somos iguais? Aparentemente o final quer nos dizer que sim, com aquele grande plano de saída focando o portal do cemitério de Paraibuna, cidade do interior de São Paulo onde se inscreve justamente o título do filme. Mas os fatos ‘marcantes’ de uma história planificada e unificada vêm nos provar que não. Continuamos hipnotizados odiando ou venerando sempre os mesmos velhos ícones de sempre: Gagarin, Hitler, JFK, M.L.King, Mao, Gandhi….Estes foram REALMENTE os nossos heróis e vilões? Como pudemos mantê-los vivos por tanto tempo sem questionar? O que a história anda nos contando da estória destas pessoas? E a história que não é contada? Porque não podemos idolatrar ou odiar o desconhecido? O filme traz uma percepção inovadora e inusitada para nossas mentalidades formatadas pela força dos vencedores ao nos contar dos anônimos da nossa história: da mulher que foi presa por obscenidade, do montador de bicicletas… e tantos outros!

Alguém por acaso se lembra da minha bisavó? Ela fazia lindas colchas de patchwork. Era constantemente espancada pelo meu bisavô. Aos 25 anos morreu heroicamente salvando minha avó de uma turba de marimbondos.

ARS LONGAE: Tecnologias e tecnologias

As conquistas tecnológicas mostradas no filme foram mesmo o marco deste último século? O que há de similitude entre um Picasso, um Freud e um Einstein, afinal? Picasso não produziu tecnologia? Freud e Einstein não foram artistas?

O que diferencia um Masagão de um Spielberg? Um pentium e diversos pentiums?? A arte?

O quanto podemos acusar a tecnologia de ter detonado o planeta ou de ter feito as mulheres desejarem deixar o passado doméstico pra trás? Existe mesmo uma humanidade por trás das máquinas? Como perceber como positivo o fato das montadoras dos Ford T terem reduzido o tempo de montagem de um carro de 14 horas para 1:30? Ou o fato de existirem bombas atômicas, foguetes e aspirinas? Ou ainda existirem mulheres que são escravas da ‘dupla jornada’?

Para McLuhan “as ferramentas recriam os homens”, mas o filme nos traz a impressão que elas os tiraram do rumo, nos fazendo pensar que somos únicos e que atos isolados não atingem a todos nós: vide a estória de Hans e Anna.

SécXX: a cada dia, uma nova tecnologia a favor do individualismo

A princípio, todas as tecnologias são, na sua intenção primeira, a favor do individualismo.  E o filme fala de diversos tipos de ‘individualismos’ o tempo todo. Mostra que o século contabilizou uma infinidade de novas tecnologias. Mostra também onde elas nos levaram: à supremacia do capitalismo e por conseqüência, a uma humanidade materialista e individualista.

Mas, o que é individualismo?

“Doutrina econômica ou política que valoriza o individual, em detrimento da hegemonia

da coletividade despersonalizada, na busca da liberdade e satisfação

das inclinações naturais e pessoais”?

Ou “Tendência intelectual que condena todas as formas organizadas de poder ou autoridade, por terminarem restringindo a soberania e a liberdade absoluta do indivíduo”?

Ou ainda “Atitude de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e busca viver

exclusivamente para si; egoísmo” ?

De certa forma, todas estas acepções, por mais eqüidistantes que parecem, foram expressas no filme. E afinal, o que há de errado no individualismo? Não é a base de sobrevivência dos seres no meio natural?

Em se falando de individualismo: se fosse criada uma máquina capaz de trazer pessoas de volta à vida, quem as pessoas ressuscitariam? O grande estadista JFK? O grande pacifista Gandhi? A senhora Takano, que fazia ótimos bolinhos de arroz?

Sem nem pestanejar, eu ressuscitaria a cozinheira oriental. Adoro bolinhos de arroz.

BIBLIOGRAFIA

Sobre o filme :

Dados básicos:

http://pt.wikipedia.org/wiki/N_s_que_Aqui_Estamos_por_Vs_Esperamos

Site interativo sobre o filme e seus personagens:

http://www2.uol.com.br/filmememoria/index.htm

Para baixar o filme:

http://almascorsarias.blogspot.com/2008/10/ns-que-aqui-estamos-por-vs-esperamos.html

Citação de Certeau em :

CERTEAU, M. de, GIARD, Luce; MAYOL, Pierre. A invenção do cotidiano: 2, morar, cozinhar. Petrópolis: Artes de Fazer, 1996.



Eric John Earnest Hobsbawm é um historiador marxista reconhecido. Um de seus argumentos é de que  as tradições são inventadas por elites nacionais para justificar a existência e importância de suas respectivas nações.

Isso é uma ironia. Sabe-se que em muitas partes do planeta a Luz Elétrica é uma senhora desconhecida.

“Diz-se de ou indivíduo que não se sabe quem seja ou que se está vendo pela primeira vez”. Definição do Dicionário Eletrônico Houaiss

Todas são definições do Dicionário Eletrônico Houaiss para a palavra ‘individualismo’.

Em 2009, tudo será diferente….

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Flor d’Alma: desarrazoadas comparações entre Florbela e Pessoa

Ao professor e amigo, Luis Maffei

“… Minh’ alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus ! . …”

Ambiciosa , Florbela Espanca, em Charneca em Flor

“… Minha alma é uma orquestra oculta;

não sei que instrumentos tangem e rangem,

cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim.

Só me conheço como sinfonia. …”

Fernando Pessoa, enquanto Bernardo Soares,

no Livro do Desassossego

Das almas

A alma é um mistério. Se existe ou não, não é o caso. O caso é que muitos bons poetas se detiveram a escrever sobre as suas e isso já basta para levarmos algumas considerações adiante.

A Flor da alma aqui se configura como a descrição de algo excepcionalmente interessante: falar do termo alma. Embora seja também um trocadilho com relação ao nome de Espanca e referência à forma como esta assinava no início da carreira.

Falemos pois sobre a tão vicejada alma, não somente aquela que dá conta do que é ‘essência’, da anima[1], do que nos define uns dos outros e do mundo e que nos coloca a par do tempo, devorador, mas também a que se mistura em muitos versos ao significado de ‘patrimônio divino’ e portanto, considerada nossa única parte imortal. Aquela que costumamos seccionar do corpo, às vezes misturar com sentimentos, afastando da razão, mas que no fundo é tudo isso junto. Aquela que serve de tema para filósofos, teólogos e psicólogos, mas que somente fica compreensível nos versos dum poeta.

Alma vera

Que espécie então de alma os poetas possuem? Uma alma amortalhada ou imortalizada? Nos bons poetas, os dois. No caso de Florbela Espanca e Fernando Pessoa podemos dizer que ambos possuíam “almas”, muitas delas, entre eternamente amortalhadas e mortificadas e igualmente, por conta desta mesma mortificação, imortalizadas para os falantes da língua portuguesa.

Essa alternância já daria uma boa dúzia de considerações, mas paremos pois a observar o quanto a supervalorização religiosa da então dita alma, e portanto item não-mundano, se mistura com sentimentos bastante humanos, sensórios e até muito carnais em ambos os autores. Por vezes a palavra confunde, não só seus leitores, mas a própria expressão dos sentimentos dos poetas, como se aquilo que @ poeta percebeu ou sentiu, tivesse sido adensado àquilo que disseram que eles deveriam ser ou expressar, enquanto filhos de deus, detentores de uma alma. Em Pessoa, graças às suas diversidades expressivas e multiplicidades egóicas, a alma toma contornos diversos e às vezes um tanto libertos da percepção religiosa embutida, mas em Florbela sua latria e dulia é transparente e expressa em muitas de seus textos.

Sintonia das almas: Espanca e Campos

Uma eterna solidão e a certeza de que as horas passam e a morte a cada segundo nos é mais próxima: esse é o mote para a descoberta de alguma essência interior traduzida como alma em muitos dos poemas de Espanca e Pessoa. Ambos vivenciaram os primórdios do modernismo, mas demonstravam um cansaço de tudo, uma falta de fé em seu tempo como observamos nos poemas Nostalgia de Florbela e em Lisbon Revisited, de Álvaro de Campos, personalidade de Pessoa no qual nos deteremos doravante.

Apesar de serem contemporâneos, viverem em eterno desabafo e terem uma velada homosexualidade, uma coisa os distinguia: ela manteve sua alma íntegra, alheia ao momento histórico literário, e com ousadia intelectual, viveu apenas de expressar sua necessidade interior, ao contrário dele, que viveu o modernismo ao máximo, fragmentando também a sua alma em várias delas.

Em Florbela a palavra alma é uma constante, fruto provável de seu enraizado e não confesso cristianismo. Suas antevisões de morte são clássicas percepções de sua alma que já nasceu velha, se é que eu posso usar um eufemismo desse! (convenhamos: que criança de sete anos escreve poema sobre a morte?). Confirmando sua cristandade, além das alusões a itens religiosos, sentimentos de culpa e misericórdia, citações de deus, de santos e de súplicas, percebe-se a dualidade alma-corpo que fica expressa em muitos textos, onde a expressão de sua alma, mais elevada que a questão corporal, marcou em sua vida real uma dificuldade relacional grande e um desejo pelo além-vida maior ainda.

Pessoa, mais precisamente enquanto Álvaro de Campos, um dos antagonistas de seu próprio eu, em sua dita ‘terceira fase’, a que nos interessa, na qual procura descrever a alma humana, apesar de ser um homem lúcido, se deixa dominar então pelos sentimentos religiosos e começa a contar as horas e os dissabores para o seu derradeiro fim, um livrar-se da alma e dos seus subseqüentes pesadelos.

Neste aspecto ambos os autores também partilham com seus leitores e seguidores, os momentos finais de suas tragédias anunciadas, ambos possuindo escritos moribundos entregando suas almas.

Parâmetros da alma

Como análise mais precisa e minuciosa, escolhi dos dois textos abaixo, alguns sub-temas onde poderemos encontrar alguns novos dados que exponham como a alma, para cada autor, se apresenta.

FANATISMO

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim!…”

Florbela Espanca

MAGNIFICAT

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia !

Álvaro de Campos

PROCURA

Aqui vemos a eterna alma solitária de Flor, mais uma vez à procura do outro dentro dela mesma, uma constante em sua poesia: “Passo no mundo, meu Amor, a ler, No misterioso livro do teu ser” .

Campos procura respostas para sua alma inquieta, que ele deseja abrandar com montes de perguntas: “Quando é que despertarei de estar acordado?” ,  “Onde? Como? Quando? Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?

NARCISISMO

Ambos ou autores falam de si para si. Florbela mais uma vez exprime um narcisismo ímpar, como se confessasse diante do espelho, não somente um fanatismo pelo outro, ou o sentimento por ele gerado, mas de forma indireta por si mesma: “Pois que tu és já toda a minha vida!”.

Campos, como que falasse também a uma amante, faz alusão na verdade à sua própria alma: “Sorri, minha alma, será dia!

FINITUDE

Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”, Florbela passeia pelo mórbido em frase filosófico-poética de simplicidade ímpar e que expressa de forma passiva o saber de sua mortalidade, o que nos leva a entender seu ato final.

Já Campos, inquieto, questiona, busca encontrar sua ‘paz final’, mas não sem angústias e se interroga: “Quando é que passará este drama sem teatro”.

TEÍSMO

As almas de ambos os poetas devem estar curtindo os desígnios divinos: Campos padecendo no céu neste exato momento e Florbela deve ter tido a chance de curtir um clima mais ‘tropical’ que o de Portugal!

Em ambos fica muito marcada a presença de uma imagem de divindade e a dependência de ditames gnósticos. Em várias produções de Florbela estão bem descritos os seus problemas de consciência cristã. Neste texto especificamente encontramos duas boas linhas: “…toda a graça, Duma boca divina fala em mim!” onde podemos entender que, ou ela é instrumento de seu deus, ou a própria e “…tu és como Deus : Princípio e Fim!…” onde fica claro seu entendimento religioso e sua percepção criacionista, além da consciência da idéia de sua transição de existente para não-existente.

Em Campos, destacamos duas inserções discretas e inspiradas em grande conhecimento de línguas. Primeiro o próprio título do poema, Magnificat, utilizado em sentido de força, poder e engrandecimento, atribuições ligadas ao divino, mas principalmente utilizado em seu significado latino de cântico inspirado na Virgem Maria, onde se agradecem pelas magnificências concedidas, embora nos pareça que ele reclama um rosário sem fim de dar dó.

Depois a referência de um personagem bíblico: “Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei”, primeiramente como inserção sutil de apenas um nome, mas que numa análise mais profunda nos revela sua intenção religiosa: o nome Josué vem do hebraico Yehoshua e curiosamente significa “Iavé é salvação” e que em última instância traduz-se como JESUS. Para além da descoberta do verdadeiro título do poema, podemos pensar na situação do referido personagem dos textos da bíblia. Josué foi quem recebeu o bastão de Moisés, após a morte deste, e que a princípio não desejava tal fardo imposto por seu deus, tendo sido ‘orientado’ eficientemente a ser fiel e priorizar as promessas divinas, depois de alguns protestos! O evento descrito no poema está no décimo capítulo do Velho Testamento do Livro de Josué, onde em uma intervenção divina, deus faz o sol parar, de forma que Josué possa matar todos os inimigos antes de escurecer. E é assim, nesse susto de morte, que nosso autor acorda!

Sem ser taxativa na análise, fica curioso notar que no texto encontramos:

1) o uso de termos científicos médicos, como coração e olho, indicando bem a função dos dois, no último como captador da luz do dia e sobre o primeiro, descrito no verso “O coração pulsa alheio”, mostra conhecimento do funcionamento do órgão.

2) termos científicos astronômicos: estrelas, universo, dia e sol. Destacando que o sol é o centro do universo, em contraposição ao pensamento religioso, onde deus é o “centro” do universo.

3) os termos dia e sol também são usados em seus significados místicos: o primeiro, sinal de boas notícias e o último, considerado um deus em muitas culturas.

4) alusão científica discreta ao gato e suas propriedades: o único animal doméstico que não perdeu suas qualidades selváticas e cujos olhos têm a capacidade de refletir à noite, permitindo-os de enxergar no escuro, que possuem uma audição mais acurada que o cão e caem em pé;

5) outros significados místicos para o gato: é um ser que foi associado às bruxas na idade média e portanto diabólico. Na cultura egípcia significava proteção tendo sua representação na deusa Bast, que possui cabeça de gato. Seus olhos, para alguns, são um portal para o inferno ou o ‘outro lado da vida’

REDENÇÃO

Por fim encontramos nos dois textos, embora de forma diversa, a questão da salvação, cuja acepção é de libertar-se, passar de uma situação difícil para outra confortável, obter felicidade eterna a após a morte, triunfar.

Para Florbela a redenção se mostra nos versos: “E, olhos postos em ti, digo de rastros:/”Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,/Que tu és como Deus : Princípio e Fim!…” onde concluímos que seu olhar ‘posto’ é uma reverência, que o rastro é aquilo que nos faz levar a algo e que independente de sua racionalidade, deus é tudo que importa e onde ela se deposita no fim.

Para Campos a redenção se expressa nos versos “Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo? /É esse! É esse!/ Esse mandará como Josué parar o sol/ e eu acordarei/ E então será dia,/ Sorri, dormindo, minha alma!”, onde agora compreendemos a função do gato como a descoberta de um portal de passagem, a questão da eliminação dos “inimigos de deus” e o acordar para o ‘dia’, cujo sol esteriliza impurezas e liberta a alma.

BIBLIOGRAFIA

Brito, José Carlos A., Florbela Espanca, a alma em expansão, 2005. No sítio:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/jcarlosbrito6.html

Pessoa, Fernando, Poemas de Álvaro de Campos: Obra poética IV, Coleção L&PM Pocket, Editora L&PM, Portugal 2007

Poemas de Florbela, em Versos de Segunda, Publicação on-line de poemas. No sítio: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/florbela.html

Silva, Anaxsuell Fernando da, Fernando Pessoa: notas de uma cartografia sentimental, em Revista Eletrônica Inter-Legere, Nº03,  2008. No sítio: http://www.cchla.ufrn.br/interlegere/inter-legere3/pdf/pesquisas2.pdf


[1] A anìma latina, significando ’sopro’, ‘alento’ , que semanticamente é ligada ao grego Ψυχή, psique ’sopro de vida’, ‘alma’, que se confunde com spiritus, similar ao grego Πνεύμα, pneûma, ‘emanação’, ‘hálito’, ’inspiração’, mas que tem antes origem em ανεμός, animos, ‘vento’.

 

A onda verde chamada Gabeira.

 

Gabeira foi um dos verdes que fundou o partido dos Verdes. Esse é o Gabeira que conhecemos e cujo verdor sabemos bem, vem de sua jovialidade, de seu sorriso lúdico transparente, de sua visão equilibrada e de sua mente, eterna buscadora.

 

O verde de Gabeira não é apenas um adjetivo, um elogio, é uma existência, uma necessidade, um pulsar junto às questões contemporâneas mais importantes, aqui e no mundo.

E ele é mesmo verde. Tão verde, que os outros ficam com inveja, mas não verdes!

 

O Rio de domingo de sol e feriadão se vestiu de Gabeira em um milhão, seisentos e quarenta tons de verde… Uma grande onda verde, silenciosa e motivadora. Mobilização única e histórica em homenagem e préstimos ao nosso mais verde cidadão carioca. Os diversos verdes pulsando nos corações daqueles seres iluminados e estampados em suas vestimentas. O dedo verde aplicado no confirma. O verde sonho traduzido em voto e desejo. Desejo de um futuro mais verde, equilibrado e justo.

Mas desejar não basta…. Como em todo lugar no mundo, o verde perde lugar para ‘outras coisas’ mais interesseiras.

 

Hoje o verde perdeu por pouco. Mas o verde Gabeira vai continuar… VERDE!

 

Deixemos o tempo correr….

O verde ficando em paz, rebrota novamente, e com mais força.

 

Verde Gabeira, reverde no futuro, te verde novo.

 

 

DEBATE TV BAND: GABEIRA E PAES – ELEIÇÕES 2008

Debate dos candidatos à eleição da Cidade do Rio de Janeiro na TV Band

 

Por Moni Abreu

 

O debate promovido neste domingo pela TV Band, foi de tensão mediana, apesar das boas chispas.

 

Gabeira que, segundo a votação dos internautas[1], já havia se saído melhor no debate com Paes no auditório do Globo no Rio ocorrido no último dia 9 de outubro, se mostrou igualmente imponente e equilibrado neste segundo encontro.

 

Os esforços de Paes para parecer confiante, mal escondiam seu nervosismo e sua preponderância para o ataque pessoal eram reiteradamente demonstrados nas perguntas, o que tornou o debate um show de espetadas sutis a princípio e nada veladas à posteriori.

 

Posturas diferenciadas

Gabeira, de sorriso tranqüilo e fala mansa, demonstrou que vai se utilizar das experiências de outros estados para trazer melhorias para a cidade do Rio e Paes insistia em dizer que ele é um “turista eleitoral” que não se inteira das condições da cidade.

 

Paes buscou comprometer Gabeira pelo apoio de César Maia, mesmo confirmando que este ainda é discreto, mas Gabeira foi extremamente habilidoso ao citar que ele, Paes, é quem atuou diretamente com o prefeito Maia, enquanto ele, Gabeira, se teve a oportunidade de encontrar Maia umas cinco vezes foi muito e tem com ele apenas contatos cordiais. Gabeira se sentiu honrado ao falar do apoio recebido de Marina Silva, de outros parlamentares do Brasil e até fora dele.

 

Paes também quis justificar a agressão feita pelos cabos eleitorais do PMDB ao sr. Francisco Miranda Santana, presidente do diretório do PV Madureira, enquanto este fazia campanha na rua, recitando sua ficha penal, no que Gabeira prontamente tentou desconstruir, pois se fosse levar em conta a “ficha suja” das pessoas o que ele teria a falar dos apoiadores do seu oponente não seria muito elegante.

Paes tentou incutir uma postura pró-drogas para o candidato do PV, para o qual o oponente foi enfático em dizer que possui propostas concretas e que é reconhecido como referência sobre o assunto. Paes ainda se utilizou de misinformação criada por jornalistas ao imputar a Gabeira uma ofensa supostamente feita a uma vereadora eleita pela zona oeste da cidade, para o qual o candidato se viu obrigado a pedir desculpa públicas. Por outro lado o candidato do PMDB não respondeu o teor da carta enviada à primeira dama, Marisa Letícia, relativa a crítica feita ao filho dela quando este era líder da oposição.

Gabeira foi sarcástico ao dizer que Paes, não entendeu a proposta sobre a contenção da epidemia de dengue na cidade, pois deteve sua atenção somente no uso do avião como item ‘pitoresco’ da proposta de prevenção contra a dengue. Gabeira explicou que este terá a função de mapeamento, conforme foi usado com sucesso em SP e sua visão é preventiva e não de ação emergencial, como tem sido tratado o problema.

 

Perguntas sorteadas

Uma pergunta feita por um repórter do jornal O Dia privilegiou a transparência do candidato do Partido Verde, ao solicitar que as contas de campanha estivessem disponíveis no site, o que foi reiterado tranquilamente por Fernando Gabeira.

 

Já pergunta feita por Boechat prejudicou Paes, pois foi uma espetada em relação à sua constante mudança de partidos e aos apoios que estão sendo recebidos por aqueles que antes eram vistos de forma crítica. E Gabeira ainda pode ‘tirar sarro”, dizendo que deveria ser criado uma nova modalidade esportiva “ A fuga das perguntas”, depois que Paes se desviou desta pergunta falando do Pan Americano.

 

Fechamento

Paes, pela postura apresentada durante todo o debate, se utilizou de frases emocionalmente piegas, se mostrou arrogante, distante das questões globais e ridicularizador destas. Suas propostas ficaram perdidas frente às perguntas, que visivelmente desejavam ver o oponente se desconcertar e à dificuldade do uso da simplicidade nas respostas.

 

Gabeira mostrou uma posição muito participativa e humilde ao dizer que prefeito não tem que saber tudo, mas tem que ouvir todos. Citou suas origens, criando uma identificação com o dia a dia da população. Mostrou uma grande visão do mundo e seus problemas e demonstrou que o Rio está ligado a todos os problemas que são também de outras cidades e países. Enfatizou que está ciente que encontrará os cofres públicos ‘rasos’ e uma câmara comprometida. E fechou com a frase: “O Rio de Janeiro precisa de um prefeito à altura de sua história”.

 

As urnas vão dizer se os eleitores é que estão à altura de escolher o prefeito que a cidade merece.

 


 

Religião é mesmo cultura???

Não à Lei Rouanet para “Templos Religiosos”!!

O Senador Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo e pastor fundador da Igreja Universal – IURD, a indústria que “vende esperança embalada em luxo” no mundo todo, está empurrando no Senado Federal a despeito de toda a reverberação negativa, uma emenda à Lei Rouanet que permite a construção, reforma de templos religiosos e pagamento de “pastores” com renúncia fiscal.  Crivella quer modificar a lei, colocando a expressão “templos de qualquer natureza ou credo religioso”. A defesa pífia de que seriam “templos do século passado” apresentada pelo político camufla sua verdadeira intenção, afinal a maioria dos templos de sua igreja foram construídos antes da década de 90!! . Convenhamos: Igrejas e templos RECONHECIDAMENTE históricos já se beneficiam com a lei. Os templos da Igreja Universal, obviamente não se incluem por não se tratar de nem de templo histórico, nem de equipamento cultural. Fica visível então que a intenção é abranger os seus “suntuosos” templos espalhados pelo país e sustentados com os dízimos sugados dos seus fiéis. Desta forma ele também abre o direito de morder verbas de empresas, que antes empregavam 4% com a arte e a cultura, para construir e manter qualquer igrejota de fundo de quintal neste país. Vale salientar que a Lei Rouanet já é um “tapa-buracos” para o Ministério da Cultura, que tem ridículas dotações designadas para as atividades culturais destes brasis. Além disso, a lei é extremamente falha e interesseira, contemplando apenas a perspectiva dos ganhos econômico-financeiros, deixando ao “capital” e não mais ao estado, a definição do que é cultura. Mas é ainda, um artifício de que a cultura nacional dispõe para sua sobrevivência, embora agora também divida recursos com a Lei de Incentivo ao Esporte.

Veja o que os artistas comentam no Carta Maior sobre este abuso de poder! . “O que o senador Crivella quer é um absurdo, se fosse realmente para preservação de patrimônio histórico então não seria necessário, já está na lei. Claro que a intenção é de abrir uma brecha”! Jô Soares, apresentador de TV.

“Bibliotecas estão sucateadas, obras de arte encontram-se abandonadas em porões de museus, por falta de recursos para recuperação, jovens não conseguem realizar seus sonhos, não me refiro apenas ao teatro, mas à dança, à música e a outros meios de expressão artística, ainda assim o senador quer dar uma ‘mordidinha’ na Lei Roaunet”! Juca de Oliveira, ator .

Se o estado é laico, que a cultura tb o seja!

Amigas inseparáveis

Nos gostamos muito. Não me envergonho de dizer que eu a amo.

Vamos sempre juntas para a faculdade, romanticamente apreciando a baía defronte o Caminho Niemeyer. Quando preciso ir ao mercado ela sempre quer ir junto. Fomos ao Cine Arte UFF nesta segunda e é claro, fomos juntinhas. E nos divertimos muito.

Inseparáveis nós somos. E nem damos bola para os ônibus, preferimos sempre ir só nós duas, à vontade. Somos mais nós, vamos devagar mais chegamos lá!

Já fomos juntas para muitos lugares de Niterói… Essa cidade é boa por isso, não tem preconceito contra nós! Infelizmente já sofremos alguns ataques daqueles que não nos entendem e têm até raiva da gente, mas sabemos que a beleza do mundo está na diversidade, e continuamos sempre juntas. A não ser que chova muito.

Eu e minha bicicleta somos amigas de verdade!

Moni e sua amiga, Danete na praça do Gragoatá.

Moni e sua amiga, Danete na praça do Gragoatá.